9º Congresso Nacional da Rede Unida 2010
Resumo:430-1



430-1Relato de experiência de uma agente de saúde em redução de danos no trabalho com mulheres no uso indevido de álcool.
Autores:Maria Antônia Costa (EPSJV FIOCRUZ - Escola Politécnica dae Saúde Joaquim VenâncioCSEGSF FIOCRUZ - Centro de Saúde Escola Germano Sinval Farias) ; Vera Joana Bornstein (EPSJV FIOCRUZ - Escola Politécnica dae Saúde Joaquim Venâncio)

Resumo

A decisão de relatar esta experiência de trabalho com mulheres alcoolistas, veio de minhas próprias vivências como alcoolista em recuperação e pela experiência de trabalho como agente de saúde em redução de danos. A motivação está relacionada também à constatação da necessidade de um tratamento diferenciado para as mulheres. A drogadição feminina sofre maior discriminação social pela família e vizinhança. Isso dificulta que a mulher assuma a sua condição de drogadicta em seu tratamento e recuperação. No semi-internato existente no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Farias/Fiocruz para atendimento de usuários de drogas, é pequena a presença feminina. A mulher é exposta aos olhares e falas preconceituosas dos vizinhos que são atendidos neste Centro de Saúde com comentários do tipo: “Vai pro tanque, você quer moleza”. A situação torna-se mais complexa quando ela perde o respeito da família, emprego, auto-estima. A situação de vida das mulheres atendidas em Manguinhos, município do Rio de Janeiro é muito precária. Convivem com desnutrição, falta de saneamento básico, analfabetismo, violência sexual. O copo de cachaça engana a fome, o sofrimento, a violência. No entanto, esta mulher precisa continuar suas obrigações domésticas enquanto o nível de intoxicação permite. Os casos são identificados pelas ACS e encaminhados para os agentes de redução de danos que fazem a visita domiciliar. Um dos fatores que facilita a identificação do usuário de álcool com o agente de redução de danos, é o fato deste ter vivido experiência idêntica. Após uma entrevista inicial, a pessoa é encaminhada para o Centro de Saúde, iniciando um tratamento que é permanente, no sistema Hospital-dia. A entrada ocorre às 8.00h e o retorno é feito às 18h. Neste período as pessoas fazem as três refeições, participam de reuniões de apoio, acompanhamento psicológico e social,e acompanhamento do agente de redução de danos, e existe a possibilidade de participar de trabalhos artesanais. No caso das mulheres a adesão a este tratamento é dificultada pelos motivos abordados anteriormente e também porque a mulher é o esteio do lar e mesmo sob o efeito das drogas continua como responsável da família. Se com os homens este trabalho tem tido resultados positivos, com as mulheres mostra-se necessário fazer mudanças que possibilitem resguardar sua privacidade e abrir novas possibilidades de aprendizagem que facilitem o sustento de sua família e o cumprimento de suas obrigações familiares.


Palavras-chave:  Redução de danos, Agente de saúde